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A Abdicação do Czar PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Seg, 08 de Março de 2010 21:27

Por Dr. Vladimir Moss


 

 

 

Czar-Mártir Nicolau II

 

“Terrível e misteriosa”, escreveu o Metropolita Anastácio, segundo hierarca da Igreja Ortodoxa Russa no Exílio, “é a obscura visão da revolução. Vista a partir de sua própria essência, ela não pode ser colocada ao lado de outros acontecimentos da história e não pode ser estudada no mesmo nível de outros fatos. Em suas profundas raízes, ela transcende os limites de tempo e espaço, conforme afirmou Gustave Le Bon, que a considerava um fenômeno irracional em que certos poderes místicos, sobrenaturais, estavam em ação. Mas o que podia antes ser encarado com dúvida tornou-se completamente óbvio após a Revolução Russa. Nela todos sentiram, como um escritor contemporâneo expressou, a crucial encarnação do mal absoluto no temperamento do homem; em outras palavras, a participação do demônio – o pai da mentira e antigo inimigo de Deus, que tenta fazer do homem sua obediente arma contra Deus – foi totalmente revelada.”[1]

O acontecimento que precipitou a revolução foi a abdicação do Czar Nicolau. “Pois o mistério da iniqüidade já opera”, disse São Paulo; “há somente um que agora o detém até que seja posto fora” (II Tessalonicenses 2,7). Já que “aquele que o detém”, segundo a interpretação de São João Crisóstomo e dos Santos Padres, é o poder monárquico legalmente estabelecido, a remoção deste poder deve começar no “mistério da iniquidade”, a revolução.

Em 21 de fevereiro, uma noviça de 14 anos de Kiev, Olga Zosimova Boiko, caiu num profundo sono que durou por exatos quarenta dias, durante os quais lhe foram revelados muitos mistérios. Um deles foi a iminente abdicação do Czar. E ela viu o seguinte: “Em uma luz brilhante, num indescritível e maravilhoso trono estava o Salvador, e próximo a Ele, ao lado de Sua mão direita – nosso soberano, rodeado por anjos. Sua Majestade estava com todas suas insígnias reais: um manto branco radiante, uma coroa na cabeça e segurando um cetro em sua mão. E ouvi os mártires conversando entre eles, alegres pela chegada dos últimos tempos e porque o número deles iria crescer.

“Eles disseram que muitos seriam atormentados pelo nome de Cristo e pela recusa em aceitar o selo [do Anticristo], e que as igrejas e monastérios seriam destruídos em breve, e os que vivem nos monastérios seriam expulsos, e que não apenas os clérigos e monges seriam torturados, mas também todo aquele que não aceitar receber ‘o selo’ e que permanecer firme pelo nome de Cristo, pela fé e pela Igreja.”[2]

A abdicação do Czar Nicolau, em 2 de Março de 1917 (calendário juliano), foi o acontecimento mais importante na história moderna; suas conseqüências reverberam até o presente. E ele ainda permanece rodeado de mistério por diversos motivos. Pois não há consenso em muitas questões complicadas que foram levantadas, tais como: Por que o Czar abdicou? Ele tinha o direito de abdicar? Ele estava certo em abdicar?

Nos meses anteriores à abdicação, o Czar foi colocado sob enorme pressão pelos líderes políticos e militares da Rússia. Eles estavam convencidos de que sua abdicação em prol de um governo “responsável diante do povo”, i.e. uma monarquia constitucional ou uma democracia parlamentar, traria paz e prosperidade ao país. Mas Nicolau, com seu profundo conhecimento dos caminhos de Deus e das necessidades de seu país, estava em dúvida e perguntava repetidamente: “Vocês estão seguros de que minha abdicação salvará a Rússia do derramamento de sangue?”

Eles asseguraram que sim. Mas o Czar sabia da qualidade dos homens que lhe aconselhavam. Como ele escreveu com tristeza em seu diário no dia da abdicação: “Por toda minha volta vejo apenas covardia, mentira e traição.”[3] E mais uma vez, no mesmo dia, enquanto segurava um pacote de telegramas enviados pelo Corpo de Generais e até mesmo por seu próprio tio, ele dizia: “O que me resta fazer agora que todos me traíram?”

E de fato, pouca coisa havia que ele pudesse fazer. Ele provavelmente poderia continuar desafiando o desejo da elite social e política, como já havia feito mais de uma vez no passado. Mas poderia desafiar a vontade de seus generais?[4] Ele talvez pudesse contar com o apoio de algumas unidades militares. Mas o resultado seria, sem sombra de dúvidas, uma guerra civil, cujo resultado era incerto mas cujo efeito na guerra contra a Alemanha era indubitável: daria aos alemães uma vantagem decisiva num momento importante, justo quando a Rússia estava se preparando para uma ofensiva na primavera.

Este último fator foi decisivo: O Czar não poderia pensar em prejudicar os esforços de guerra por nenhuma razão. Pois o primeiro dever de um Czar ortodoxo depois da defesa da Fé Ortodoxa é defender seu país de inimigos externos. E então, após passar uma noite inteira em oração, ele deixou a coroa de lado pelo bem de seu país. Pois, como escreveu: “Estou pronto para desistir do trono e da vida caso me torne um obstáculo para a felicidade da minha pátria.” E mais uma vez: “Não há sacrifício que eu deixaria de fazer pelo verdadeiro bem da Rússia e por sua salvação.”

O que foi chamado de “O Manifesto da Abdicação” foi na verdade um telegrama ao Chefe do Exército, o General Alexeev: “Durante os dias de grande luta contra os inimigos externos que há quase três anos buscam escravizar nossa terra natal, foi agradável ao Senhor Deus mandar para a Rússia um novo e difícil teste. Os distúrbios nacionais que começaram dentro do país ameaçam se refletir desastrosamente na direção futura desta guerra exaustiva. O destino da Rússia, a honra de nosso heróico exército, o bem-estar do povo, todo o futuro de nossa preciosa Pátria exige que a guerra termine com uma vitória, haja o que houver. O cruel inimigo está exaurindo suas últimas forças, e não está distante a hora em que nosso valente exército junto a nossos gloriosos aliados esterão aptos a quebrá-lo completamente. Nestes dias decisivos para a vida da Rússia, temos considerado como dever de consciência  facilitar ao nosso povo uma forte união e coesão de toda nossa força nacional, de modo que a vitória possa ser atingida mais rapidamente, e, em concordância com a Duma, concluímos que será uma boa coisa a minha abdicação ao trono do Estado russo e a remoção do poder supremo de minhas mãos. Não desejando a separação de nosso amado filho, transfiro nosso legado ao nosso irmão, o Grão-Duque Miguel Alexandrovic e o abençôo a ascender ao trono do Estado russo. Ordenamos que nosso irmão conduza os casos do Estado em uma unidade inviolável e plena com os representantes daqueles que possuem o cargo legislativo, sob aqueles princípios que eles estabelecerão, proferindo um inviolável juramento com este fim. Em nome de nossa fervorosamente amada terra natal pedimos que todos os filhos da Pátria  cumpram seu dever sagrado, submetendo-se ao Czar durante o difícil momento de provas universais, e ajudando-o, junto com os representantes do povo, a liderar o Estado russo até o caminho da vitória, bem-estar e glória. Que o Senhor Deus ajude a Rússia. Pskov. 2 de Março, 15:00 horas. 1917. Nicolau.”[5]

Tem-se defendido que o telegrama não era uma abdicação, mas um codificado apelo final para que o exército o apoiasse. Mas tal suposição não pode ser conciliada com o sentido literal do texto. E já que todos concordam sobre a sinceridade transparente do caráter de Nicolau, não há razão para não acreditar neste último sentido. Em todo caso, o Grão-Duque Miguel se recusou a pegar o fogo colocado sobre ele por seu irmão, causando o fim efetivo da dinastia...

Tem sido defendido também que a abdicação,  caso fosse literalmente uma abdicação, não tinha força legal, pois não havia previsão para ela nas Leis Fundamentais. Como Michael Nazarov apontou, as Leis Fundamentais do Império Russo, que foram promulgadas pelo Czar Paulo I e à qual os membros da Família Imperial juraram defender, “não previa a abdicação de um Imperador reinante” (‘de um ponto de vista religioso, a abdicação do Monarca, o ungido de Deus, é contrária à sua Sagrada Coroação e Unção, sendo possível apenas em caso de tonsura monástica’ [N. Korevo]). Sua Majestade tampouco tinha o direito de abdicar em lugar de seu filho a favor de seu irmão; por sua vez, seu irmão Miguel Alexandrovich não tinha o direito nem de ascender ao Trono enquanto o adolescente Tsarevich Alexis fosse vivo, nem de ser coroado já que era casado com uma mulher divorciada, nem o direito de transferir o poder ao Governo Provisório ou de deixar a solução sobre o destino da monarquia à futura Assembléia Constituinte.

“Ainda que o monarca fosse estabelecido pela vontade de tal Assembléia, ‘teria ocorrido a abolição do princípio ortodoxo de legitimação presente nas Leis Fundamentais’, e portanto esses atos teriam sido ‘juridicamente inexistentes’, afirma Zyzykin (no que Korevo concorda). ‘O Grão-Príncipe Miguel Alexandrovich... efetuou tão somente um ato de expresão de suas opiniões e abdicação pessoais, que não tinham força obrigatória sobre ninguém. Assim, ele se retirou por conta própria da sucessão de acordo com  as Leis Fundamentais, segundo as quais ela foi juridicamente inexistente, pelo fato de ter declarado anteriormente, em sua instituição como Grão-Príncipe no dia em que atingiu a maturidade, fidelidade aos decretos das Leis Fundamentais no que diz respeito a herança do trono e a ordem da Instituição Familiar’.

“Sem contar que Sua Majestade não esperava tal atitude de seu irmão, uma atitude que colocou a própria ordem monárquica em questão...”[6]

Por outro lado, o Arcipreste João Vostorgov considerou legal a transferência do poder, apesar de sua incompatibilidade com as Leis Fundamentais do Império: “Nosso Imperador anterior, que abdicou ao trono, transferiu o poder de maneira legal a seu irmão. Por sua vez, o irmão do Imperador, ao abdicar do poder até a decisão final da Assembléia Constituinte, também de modo legal transferiu o poder ao Governo Provisório e ao governo permanente que será dado à Rússia pela Assembléia Constituinte. Portanto temos agora um Governo Provisório completamente legal, da maneira que deve ser, conforme diz a palavra de Deus. A este poder, que agora é o poder Único e Supremo em toda Rússia, devemos submissão por dever à nossa consciência religiosa; somos obrigados a orar por ele; também somos obrigados a obedecer as autoridades locais por ele estabelecidas. Nesta obediência, após a abdicação do Imperador anterior e de seu irmão e após suas indicações de que o Governo Provisório era legal, não há traição ao voto anterior, mas nela consiste nosso dever direto.”[7]

E mais confusões e problemas de consciência se seguiram. Assim, em 24 de julho de 1917, alguns cristãos ortodoxos escreveram ao Santo Sínodo “pedindo fervorosamente” a eles para que “expliquem no jornal Russkoe Slovo [Palavra Russa]...o que significa o juramento de fidelidade que fizemos ao Czar Nicolau Alexandrovich. O povo está dizendo em nossa região que se este juramento não tem significado  algum, então o novo juramento ao novo Czar [o Governo Provisório] não significa nada também. Qual obediência deve ser mais agradável a Deus: a obediência ao primeiro ou ao segundo? Pois o Czar não está morto, mas vivo e na prisão...”[8]

M.A. Babkin aponta que a declaração do Grão-Príncipe Miguel contia as seguintes sentenças: “Tomei a firme decisão de só aceitar o poder supremo se este for o desejo de nosso grande povo, a quem compete estabelecer na Assembléia Constituinte a forma de governo e as novas leis fundamentais do Estado russo. Assim, peço a todos os cidadãos de alma russa que se submetam ao Governo Provisório até que a Assembléia Constituinte expresse, por meio de sua escolha da forma de governo, o desejo de nosso povo.” “Podemos ver”, escreveu Babkin, “que o discurso do Grão-Príncipe não era sobre sua abdicação, mas sobre sua impossibilidade de ocupar o trono real sem que todo o povo russo expressasse claramente sua aceitação. Miguel Alexandrovich submeteu a escolha da forma de governo (escolha, em primeiro lugar, entre o poder popular e a monarquia) à Assembléia Constituinte. Até a convocação da Assembléia Constituinte ele confiou a administração do país ao Governo Provisório ‘que nasceu por iniciativa da Duma.’”[9]

Uma vez que o Grão-Príncipe Miguel deixou a escolha da forma de governo à Assembléia Constituinte, muitos opositores ferrenhos da revolução – como por exemplo, o Hieromártir Andrônico, Arcebispo de Perm – estavam prontos para aceitar o Governo Provisório no sentido de que ele era tão somente isto -- provisório. Eles não sabiam que a Assembléia Constituinte convocada com dificuldades seria dissolvida pelos bolcheviques e que com isso a ordem monárquica chegaria ao fim. Portanto, os resultados da abdicação do Czar foram diferentes do que ele esperava e acreditava. Em vez de uma organizada transferência de poder entre membros da Família Imperial, o Grão-Príncipe Miguel também abdicou, a Assembléia Constituinte não foi reunida e toda a ordem da dinastia e autocracia entrou em colapso. E em vez de prevenir uma guerra civil para ajudar a vitória na I Guerra Mundial, a abdicação foi seguida pela derrota no conflito e pela mais sangrenta guerra civil da história, seguida por sofrimentos sem precedentes e perseguições à fé que duraram gerações.

De fato, podemos ver em retrospecto que tal ato colocou fim a um período de 1600 anos de Império Cristão Ortodoxo, iniciado com a chegada ao poder de São Constantino o Grande. “Aquele que detém” a vinda do Anticristo, o Imperador cristão ortodoxo, “foi posto fora” (2 Tessalonicenses 2,7) – e logo em seguida o “anticristo coletivo”, o poder soviético, deu início à sua tortura selvagem do corpo da Santa Rússia. São João de Kronstadt afirmou que, sem o Czar, a Rússia não poderia sequer carregar o nome Rússia, e que seria um “cadáver fedorento”. O que foi provado ser verdade...

Estava então o Czar certo ao abdicar, se não havia permissão legal para tal e se os resultados de sua decisão foram tão catastróficos para a Rússia?

Os santos foram ambíguos em suas afirmações. A grande anciã Paraskeva (Pasha) de Sarov (+1915), que previu o destino do Czar na glorificação de São Serafim de Sarov em 1903, disse: “Vossa Majestade, deixe o trono por conta própria.”[10] Mas a Beata Duniushka de Ussuruisk, martirizada em 1918, disse: “O Czar irá deixar nossa nação, o que não deveria acontecer, mas isto foi designado pelas Alturas. Esse é  o seu destino. Não há como escapar.”[11] E outra grande anciã, Beata Matrona de Moscou (+1952), disse: “Em vão o Imperador Nicolau renunciou ao trono, ele não deveria ter feito isso, ele foi forçado a fazê-lo. Ele está triste pelo povo, e ele mesmo pagou o preço, conhecendo seu caminho de antemão.”[12]

“Ele não deveria ter feito isso”? Ou este era “seu destino” no sentido de que era a vontade de Deus, da qual ele não poderia nem tentou escapar?

Seria de se esperar que as autoridades da Igreja jogassem luz sobre esta questão posicionando-se a favor ou contra a abdicação. Entretanto, o Sínodo demonstrou estar perdido neste momento crucial. Em sua sessão de 26 de fevereiro (calendário juliano), o sínodo se recusou a assinar o pedido do Procurador Assistente, o Príncipe N.D. Zhevakhov, para que os agitadores fossem tratados com punições eclesiásticas.[13] E depois, no dia 27 de fevereiro, o Sínodo recusou o pedido do Procurador Geral, N.P. Raev, de apoiar a monarquia publicamente. Ironicamente, portanto, a muito criticada criação de Pedro o Grande, o cargo de Procurador Geral, provou ser, neste momento crítico, mais leal ao ungido de Deus do que a própria liderança da Igreja...

“No dia 2 de março”, escreveu M.A. Babkin, “os hierarcas do Sínodo reuniram-se na residência do Metropolita de Moscou. Eles leram o pedido de aposentadoria do Metropolita Pitirim de São Petersburgo (o pedido foi aceito em 6 de março – M.B.). A administração da diocese da capital foi entregue temporariamente ao Bispo Benjamim de Gdov. Mas então os membros do Sínodo reconheceram que era necessário entrar imediatamente em relações com o comitê executivo da Duma. Com base nisso podemos afirmar que o Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Russa reconheceu o Governo Provisório antes mesmo da abdicação de Nicolau II ao trono. (O encontro seguinte de membros do Sínodo ocorreu em 3 de março na residência do Metropolita de Kiev. No mesmo dia o novo governo foi avisado das resoluções do Sínodo.)

“A primeira sessão triunfantemente oficial do Santo Sínodo após o golpe de estado ocorreu no dia 4 de março. O Metropolita Vladimir de Kiev a presidiu e o novo Procurador Geral do Sínodo, V.N. Lvov, nomeado pelo Governo Provisório no dia anterior, estava presente. O Metropolita Vladimir e os membros do Sínodo (com exceção do Metropolita Pitirim, que estava ausente – M.B.) expressaram uma sincera alegria com a chegada de uma nova era na vida da Igreja Ortodoxa. E então, pela iniciativa do Procurador Geral, a cadeira real... foi removida para os arquivos... Um dos hierarcas da Igreja lhe ajudou. Decidiu-se que a cadeira seria colocada em um museu.

“No dia seguinte, 5 de março, o Sínodo ordenou que em todas as igrejas da diocese de Petrogrado ‘não fossem mais proclamados’ os Muitos Anos à Casa Imperial. Na nossa opinião, essas ações do Sínodo tiveram um caráter simbólico e testemunharam o desejo de seus membros de ‘colocar num museu’ não apenas a cadeira do Czar, mas também ‘despachar para os arquivos’ a própria memória da história imperial.

“O Sínodo reagiu de modo neutro à ‘Ata de Abdicação do Trono do Estado Russo de Nicolau II e Seu Filho a Favor do Grão-Príncipe Miguel Alexandrovich’ de 2 de março de 1917, e à ‘Ata de Recusa do Grão-Príncipe Miguel Alexandrovich em Aceitar o Poder Supremo’, de 3 de março. No dia 6 de março, decidiu-se aceitar essas atas ‘para informação e execução’ e que em todas as igrejas do império fossem servidos molebens com um ‘Muitos Anos’ ao 'Reino Russo protegido de Deus e para seu ortodoxo Governo Provisório’.”[14]

Mas o novo governo, cujos líderes, como vimos, eram maçons[15], era realmente "ortodoxo"? O Ministro das Relações Exteriores do novo governo, Paulo Milyujov, quando questionado sobre quem havia eleito seu governo, respondeu: “A Revolução Russa nos elegeu”.[16] Mas a revolução não pode ser legal, pois é a encarnação da ilegalidade. Como, portanto, a Igreja pôde permitir que seus membros votassem em maçons ou sociais-democratas para a Assembléia Constituinte? Afinal, a Assembléia iria determinar a futura forma de governo da Rússia. Como a Igreja renunciou tão rapidamente ao Czarismo, que formou um dos pilares da identidade russa por quase 1000 anos?

O hierarca que talvez tenha tomado a atitude mais descompromissada nessa questão foi o futuro Hieromártir Arcebispo Andrônico de Perm. Em 4 de março, em uma carta “A Todos os Cristãos Ortodoxos Russos”, ele chamou a situação então presente  de “interregnum”. Pedindo para que todos obedecessem ao Governo Provisório, disse: “Devemos implorar ao Generosíssimo para que Ele estabeleça autoridade e paz em nossa terra, para que Ele não nos deixe sem um Czar, como filhos sem uma mãe. Que Ele nos ajude, como fez há trezentos anos com nossos ancestrais, que recebamos de Sua boníssima providência, de forma unânime e inspiradora, um Czar ortodoxo nativo.”

O novo Procurador Geral escreveu a Andrônico pedindo uma explicação por suas ações de apoio ao antigo regime, que “visavam colocar o clero contra a nova ordem”. A correspondência entre os dois terminou em 16 de abril, com uma detalhada carta do Arcebispo Andrônico, em que ele diz: “A ata de recusa de Miguel Alexandrovich que legitimou o Governo Provisório declarou que após a Assembléia Constituinte poderemos ter um governo monárquico ou qualquer outro, dependendo do pronunciamento da Assembléia sobre a questão. Submeti-me ao Governo Provisório, e também farei o mesmo a uma república caso ela seja estabelecida pela Assembléia Constituinte. Mas até lá nenhum cidadão está privado da liberdade de se expressar sobre a forma de governo para a Rússia; a Assembléia Constituinte seria supérflua caso alguém pudesse predeterminar irrevogavelmente esta questão. Como disse várias vezes anteriormente, me submeti ao Governo Provisório, estou submetido agora e peço que todos façam o mesmo. Estou perplexo com os fundamentos que você encontrou para me acusar de ‘incitar o povo não apenas contra o Governo Provisório, mas também contra as autoridades espirituais em geral.’”[17]

Posição similar foi tomada pelo Arcebispo Antônio (Khrapovitsky) da Carcóvia, que em 5 de março, no final da liturgia, declarou: “Quando recebemos as notícias da abdicação do trono do nosso Mui Piedoso Imperador Nicolau Alexandroivch, preparamos, segundo suas instruções, a comemoração ao Mui Piedoso Imperador Miguel Alexandrovich. Mas também ele abdicou e ordenou que obedecêssemos ao Governo Provisório, e por esta razão, e apenas por essa razão, comemoramos o Governo Provisório. Entretanto, nenhum poder pode nos forçar a deixar de comemorar o Czar e sua Família Imperial...

“... Devemos fazê-lo, em primeiro lugar, para cumprir o que nos foi ordenado por Sua Majestade Nicolau II, que deixou o poder ao Príncipe Miguel Alexandrovich, que, por sua vez, deixou esse poder ao Governo Provisório até a reunião da Assembléia Constituinte. Em segundo lugar, devemos fazê-lo para impedir a completa anarquia, furtos, lutas e sacrilégios contra objetos sacros. Em apenas uma coisa a ninguém podemos escutar, nem agora nem depois, nem czares, legisladores ou o povo: caso nos mandem renunciar à nossa fé, ou profanar os objetos sacros, ou cometer atos claramente ilegais e pecaminosos em geral.”[18]

Entretanto, com exceção de alguns poucos, não se pode dizer que a Igreja ficou ao lado do Czar. Assim, em 7 de Março, o “conservador” Arcebispo Serafim (Chichagov) de Tver e Kashin veio a público para dar boas-vindas ao regime: “Pela misericórdia de Deus, o levante popular contra a velha e miserável ordem do Estado, que estava levando a Rússia à beira da destruição nestes desagradáveis anos de guerra mundial, ocorreu sem fazer muitas vítimas, e a Rússia passou facilmente a uma nova ordem estatal, graças à firme decisão da Duma, que formou o Governo Provisório e o soviet de representantes dos trabalhadores. A Revolução Russa foi a mais rápida e menos sangrenta de todas as revoluções que a história conheceu...”[19]

Em 9 de março, o Santo Sínodo escreveu a todos os filhos da Igreja Ortodoxa Russa, começando com as desastrosas palavras: “A vontade de Deus se cumpriu. A Rússia entrou no caminho de uma nova vida no Estado. Que Deus abençoe nossa grande pátria com felicidade e glória em seu novo caminho. Confiem no Governo Provisório. Todos juntos e cada um individualmente, apliquem todos seus esforços a fim de que por seus trabalhos, oração e obediência ajudem a grande obra de introduzir novos princípios na vida do Estado...”

É compreensível que o Sínodo não desejasse correr o risco de uma guerra civil ao se opor ao novo governo. Mas era verdade que “a vontade de Deus se cumpriu?” Em vez disso, não teria Deus permitido que o desejo de satanás se cumprisse, como punição aos pecados do povo russo? E se a resposta for sim, como esse caminho pode ser chamado de “grande obra”?

Babkin escreveu: “Esta epístola foi caracterizada por B.V Titlinov, professor da Academia Teológica de Petrogrado, como ‘uma epístola abençoando uma nova e livre Rússia’ e pelo General A.I. Denikin como uma ‘legitimação ao coup d´état que ocorria’. Na epístola foram afixadas as assinaturas dos bispos da ala ‘czarista’ do Sínodo, mesmo as dos que tinham reputação de monarquistas e ‘direitistas’, como por exemplo, os Metropolita Vladimir de Kiev e Macário de Moscou. Isso dá testemunho dos sentimentos de ‘lealdade’ dos hierarcas do Sínodo...”[20]

Outros hierarcas ecoaram as palavras da carta em tons ainda mais revolucionários. Como o Bispo André de Ufa, que escreveu: “A abdicação de Nicolau II ao trono liberou seus súditos do juramento que lhe fizeram. Além disso, todo cristão ortodoxo deve se lembrar das palavras de uma canção da Igreja, que diz ‘se tens obedecido, mas não pelo bem, é melhor para ti antes desobedecer do que fazer o mal' (do serviço do dia da decapitação de São João o Precursor). Escrevi sobre isso em ‘Pensamentos de 9 de Fevereiro de 1916’, quando demonstrei a grande bravura eclesiástica e civil do Metropolita Macário de Moscou, que encontrou em sua consciência apoio para derrotar as iniquidades do maligno. E assim a questão da obediência, para aqueles que ficaram perturbados e que são fracos de consciência, fica totalmente encerrada.

“A autocracia dos Czares russos primeiro degenerou-se no absolutismo [samovlastie] e depois em despotismo [svoevlastie], excedendo toda normalidade.... E ó! Seu poder entrou em colapso – o poder que abandonou a Igreja. A vontade de Deus foi feita... A Igreja Católica de Cristo foi libertada da opressão do Estado.”[21]

O Conselho da Sociedade Religiosa-Filosófica de Petrogrado foi ainda mais longe, pedindo não apenas a remoção do Czar, mas também de todo conceito de Monarquia Sagrada. Assim, em suas sessões de 11 e 12 de março, o Conselho declarou que a aceitação da abdicação do Czar pelo Sínodo “não corresponde à enorme importância religiosa do ato pelo qual a Igreja reconhece o Czar no rito de coroação do ungido de Deus. É necessário, para a libertação da consciência do povo e para evitar a possibilidade de uma restauração, que um ato correspondente seja feito em nome da hierarquia da Igreja, abolindo o poder do sacramento da Unção Real, por analogia com os atos da Igreja que abolem o poder dos sacramentos do Matrimônio e Sacerdócio.”[22]

Se a hierarquia da Igreja, tradicionalmente o principal apoio da autocracia, titubeou, não é de se surpreender que todo o povo tenha titubeado também... O Czar estava sozinho. E já que a liderança do Estado cristão deve ser dual – através da parceria ou “sinfonia” entre Igreja e Estado – ele não poderia continuar governando como um Czar cristão ortodoxo. Assim como são necessárias duas pessoas para que exista um casamento, também são necessários dois poderes para a existência de um Estado cristão. O noivo neste caso era digno e justo, mas a noiva não. Em Deuteronômio 17,14 o Senhor disse que uma das condições para a criação de uma monarquia agradável a Deus era que o povo desejasse um rei agradável a Deus.[23] O povo russo não queria mais seu piedoso Czar. E então a escritura foi cumprida: “não temos rei, porque não tememos ao Senhor” (Oséas 10,3).

Como escreveu P.S. Lopukhin: “No momento de sua abdicação Sua Majestade sentiu que estava profundamente sozinho e que ao seu redor só havia ‘covardia, mentira e traição’. E à pergunta sobre como ele pôde abdicar de seu serviço czarista, é necessário responder: ele o fez porque nós abdicamos de seu serviço czarista, de sua sagrada e santificante autoridade...”[24]

E ainda assim, em um verdadeiro sentido, o Czar salvou o futuro da monarquia com sua abdicação. Pois ao abdicar, ele resistiu à tentação de aplicar o uso da força e iniciar uma guerra civil por uma causa que era justa de um ponto de vista meramente jurídico, mas que não poderia ser justificada de um ponto de vista mais profundo, escatológico.  (Considere as palavras do Profeta Siquém ao Rei Roboão e à casa de Judá quando eles se preparavam para enfrentar a casa de Israel: “Assim diz o Senhor: Não subireis, nem pelejareis contra vossos irmãos, os filhos de Israel; volte cada um para a sua casa...” (I Reis 12,24))

O Czar Mártir resistiu à tentação de agir como um governante absolutista ocidental, refutando os ocidentais e orientais que olhavam para seu reinado justamente dessa forma – como uma forma de absolutismo. Ele mostrou que a autocracia ortodoxa não é uma forma de absolutismo, mas algo completamente sui generis – o aspecto externo do auto-governo da Igreja Ortodoxa e do povo na terra. Ele se recusou a lidar com o poder como algo independente da Igreja e do povo, mas mostrou que era uma forma de serviço à Igreja e ao povo a partir do interior da Igreja e do povo, de acordo com a palavra: “Coloquei a coroa num homem poderoso; exaltei um escolhido dentre o povo... com o meu santo óleo o ungi .” (Salmos 89,19-20).  Portanto,  não um “governo pelo povo e para o povo” como no sentido democrático, mas “governo de um escolhido dentre o povo de Deus, pelo povo de Deus e responsável apenas diante de Deus”.

Ao mostrar tal entendimento da Autocracia Ortodoxa de maneira plena em sua vida de auto-sacrifício, o Czar Nicolau preservou esse ideal para as gerações futuras, deixando-o “salvaguardado”, como estava, por Deus e por Sua Santíssima Mãe. Pois no mesmo dia de sua abdicação, a Mãe de Deus apareceu à camponesa Eudócia Adrianovna e disse a ela: “Vá até ao vilarejo de Kolomenskoe; lá você irá encontrar um ícone grande e negro. Pegue-o e embeleze-o, e deixe que o povo ore diante dele.” Eudócia encontrou o ícone às 3 horas, o mesmo horário da abdicação. Ele foi milagrosamente restaurado, e revelou-se ser o ícone do “Reino” da Mãe de Deus, o mesmo que liderou o exército russo nas gerras contra Napoleão. Nele a Mãe de Deus é representada sentada num trono real, trajada em um manto vermelho escuro, e carregando o orbe e o cetro dos Czares ortodoxos, como se mostrasse que o governo da da terra russa passava agora dos governantes terrenos para a Rainha do Céu...[25]

 

Notas de rodapé:


[1] ANASTÁCIO, Metropolita; Besedy so svoim sobstvennym serdtsem, 1948, pg. 123; traduzido em "Living Orthodoxy", 101, vol. XVII, Setembro-Outubro de 1996, pg. 9

[2] Carta de Sérgio Nilo ao Hierodiácono Zósima, 6 de Agosto de 1917, em Vladimir Gubano, “Tsar Nikolai II izh i Novie Mucheniki”, São Petersburgo, 200, pg. 121.

[3] "Minha abdicação é necessária. Ruzsky transmitiu a conversa [com Rodziank] à liderança do QG e Alexeev a todos os comandantes dos fronts. As respostas de todos chegaram às 2:05. Em essência, pelo bem da salvação da Rússia e para manter o exército tranqüilo no front, resolvi seguir o caminho proposto. Concordei. Da liderança do QG, enviaram-me o rascunho de um manifesto. Durante a  noite, Guchkov e Shulgin chegaram de Petrogrado, e com eles debati, e lhes entreguei o manifesto editado e assinado. Logo pela manhã saí rumo à Pskov muito afetado por tudo que havia ocorrido. Por toda minha volta só vejo traição, mentira e covardia." “Dnevniki Imperatora Nikolai II”, Moscou, 1992, pg. 625)

[4] E.E. Alferev escreveu: "Falando diretamente, em vista da posição tomada pelos [Generais] Ruzsky e Alexeev, a possibilidade de resistência foi excluída. Ao ser isolado do mundo externo, o soberano estava como em cativeiro. Suas ordens não foram obedecidas, os telegramas dos que permaneceram fiéis ao voto de aliança com ele não foram entregues. A Imperatriz, que nunca confiou em Ruzsky, ao saber que o trem do Czar havia parado em Pskov, imediatamente entendeu o perigo que ele estava correndo. Em 2 de março ela escreveu à Sua Majestade: 'Mas você está sozinho, não há um exército com você, você está como um rato numa armadilha. O que você pode fazer?”' “Imperator Nikolai II kak Chelovek Sil'noi voli” (Imperador Nicolau II como um Homem de Forte Personalidade), Jordanville, N.Y: Monastério da Santíssima Trindade, 1983, 2004, p. 121)

[5] Todas as datas foram dadas de acordo com o calendário juliano, em uso então na Rússia. As datas serão dadas de acordo com o calendário gregoriano, quando seguintes à introdução desse calendário pelos bolcheviques, em janeiro de 1918.

[6] NAZAROV, “Kto naslednik rossiyskgo prestola?” (Quem é o herdeiro do trono russo?), Moscou, Russkaia Idea, 996, p. 68 (em russo). Em defesa do Grão-Príncipe Miguel, deve ser dito que também ele agiu sob coação. Como Nazarov apontou: "O Grão-Príncipe Miguel Alexandrovich também foi coagido sob pressão dos conspiradores que foram até sua casa. Kerensky admitiu  que este foi o objetivo deles: ‘Decidimos cercar o ato de abdicação de Miguel Alexandrovich de toda garantia, mas de uma forma que ela parecesse voluntária’." (pg. 69)

[7] Citado em Tamara Groyan, Metropolita Macário de Moscou, Tsariu Nebesnomu i Zemnomu, Moscou: Palomnik, 1996, pg. 128.

[8] Em Groyan, op. cit., pgs. 122-123.

[9] BABKIN, Sviaeushiy Sinod Pravoslavnoi Rossiyskoi Tserkvi i Revoliutsionnie Sobytia Fevralia - Marta 1917 g,, http://www.monarhist-spb.narod.ru/D-ST/Babkin-1, p. 3 ®.

[10] GUBANOV, op. cit., pg. 70.

[11] http://www.geocities.com/kitezhgrad/prophets/duniushka.html

[12] em Gubanov, op. cit., pg. 62.

[13] STEPANOV, A.D., Mezhdu mirom i monastyrem, São Petersburgo, 2002, pg. 491.

[14] BABKIN, op. cit., pp. 2-3.

[15] Suyoishi Hasegawa escreveu: "Cinco membros, Keresnky, N.V. Nekrasov, A.I. Konovalov, M.I. Tereschenko e I.N, Efremov eram conhecidos por pertencer à organização secreta maçônica." (The February Revolution); em Edward Acton, Vladimir Cherniaev, William Rosenberg (editores) , Critical Companion to the Russian Revolution 1914-1921, Bloomington e Indianápolis: University of Indianna Press, 1997, pg. 59.

[16] Citado em G.M. Katkov, Frevral'skaia Revoliutsia, Paris, Editora YMCA, 1984, p. 370.

[17] BABKIN, op. cit., p. 8.

[18] ANTÔNIO, Metropolita, Pastyr i Pastva, 1917, 10, pgs. 280, 281; Pis'ma Blazhenneishago Mitropolita Antonia (Khrapovitskago), Jordanville, 1988, pg. 57; Monge Benjamin, Gomareteli, Letopi's Tserkovnykh Sobytiy Pravoslavnoy Tserkvi Nachinaia s 1917 goda, pgs. 2-3 ®. Cf. Victor Antonov, 1917 god: Arkhiepiskop Antonij i Fevralisty, Vozvrashchenie, 1-2 (6), 1994, pg. 25 ®.

[19] SERAFIM, Arcebispo, Tverskie Eparkhial'nie Vedomosti, 1917, 9-10, pgs. 75-76, em Monge Benjamim, op. cit, pg.4.

[20] BABKIN, op. cit., pgs. 3-4. Citado por Oleg Lebedev, Mezhdu Fevraliem i Oktiabrem, Nezavisimaia Gazeta, 13 de Novembro de 1996, pg. 5 (em russo)

[21] ANDRÉ, Arcebispo, Ufimskie Vedomosti, 1917, pgs. 138-139, Monge Benjamim, op. cit., pgs. 6-7

[22] GROYAN, op. cit., p. 142. Itálicos meus (Vladimir Moss.).

[23] Como Lev Tikhomirov escreveu: "Sem estabelecer um reino, Moisés previu e apontou um a Israel... Foi Moisés quem mostrou antes de todos as duas condições para o nascimento do poder monárquico: é necessário, primeiro, que o povo reconheça sua necessidade, e segundo, que o próprio povo não eleja o rei, mas que deixe isto ao Senhor. Além disso, Moisés indicou uma orientação para o próprio rei:: 'quando ele sentar sobre o trono de seu reino... ele deverá cumprir todas as palavras desta lei'." (Monarkhicheskaia Gosudarstvennost ;  Buenos Aires, 1968, pgs. 127-129).

[24] LOPUKHIN, "Tsar i Patriarkh", Pravoslavniy Put', 1951, pgs. 103-104

[25] É dito que durante o cerco ao Kremlin em Outubro de 1917, a Mãe de Deus ordenou que o ícone do "Reino" fosse carregado em procissão por sete vezes em volta do Kremlin, e então todos seriam salvos. Entretanto, ele foi levado apenas uma vez... (Monge Epifânio (Chernov), "Tserkov Katakombnaia na Zemle Rossiyskoy", MS, 1980.

 

Última atualização em Ter, 23 de Março de 2010 17:09
 

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